Viajar é aprender*

Diego Canhada - 13/12/2016
viajar e aprender

Lembro-me de um professor que deixou uma lição que fez muito sentido com o passar dos anos, especialmente quando ingressei no mercado de trabalho. Dizia ele que embora o conhecimento técnico seja importante em qualquer formação, o que realmente faz diferença na vida profissional se chama bom senso. E que embora seja difícil dizer o que ajuda a criar e fortalecer esse bom senso, ele apostava em livros e viagens.

Em relação aos livros e à leitura de forma geral, qualquer pessoa necessita chegar a um nível bastante alto de imbecilidade para colocar em questionamento o valor dessa prática. Entretanto, é engraçado perceber como a prática de viajar ainda possui um sentido apenas lúdico e não seja percebido em nosso imaginário como uma ferramenta de aprendizagem muito especial.

Viajar é aprender, sem dúvidas, especialmente se você sai de sua casa também com esse objetivo. É possível aprender de muitas formas. Aprende-se primeiramente lendo sobre o destino para o qual se vai e conversando com pessoas que já conhecem o local. Aprende-se conhecendo diferentes lugares e paisagens, interagindo com pessoas da cultura local e mesmo com viajantes de outros locais. Aprende-se história, geografia e idiomas de um modo mais rico do que na maior parte das salas de aula convencionais. Aprende-se de tudo e pode se construir sólidas amizades e uma rede de contatos que dificilmente seria feita de outro modo.

E, muito importante, aprendemos sobre nós mesmos e nossa cultura. O distanciamento de nossa casa proporciona uma nova visão daquilo que já não enxergamos e nem refletimos em nossa cultura, por estarmos imersos na mesma. Quando saímos do lugar no qual fomos socializados, muitas práticas, costumes, valores e crenças que constituem nossa cultura acabam ficando evidentes. Muito do que consideramos normal e certo é colocado em questionamento, especialmente porque conhecendo outras culturas, percebemos que nosso mundo é apenas um dos mundos possíveis.

Quando saímos do nosso casulo e resolvemos enfrentar dificuldades em lugares desconhecidos, testamos nossos limites e descobrimos forças e fraquezas que provavelmente não seriam expostas se não tivéssemos mudado de ambiente. Em resumo, viajar é viver e pode ensinar tanto como os livros, assim como os livros podem ser tão prazerosos como uma viagem! Fica como dica para dois bons investimentos a serem feitos nesse ano que se inicia.

*Texto publicado no jornal “Brazilian News – Notícias em Português” em julho/2016, Londres.