Tarragona e Andorra: escapando das rotas óbvias na Península Ibérica

Diego Canhada - 07/03/2017
Tarragona e Andorra

Desde que soube que viríamos morar na Espanha, comecei a olhar o mapa da região buscando locais possíveis de serem explorados em nossas viagens. Foi assim que ouvi falar de Andorra: um pequeno país na fronteira com a França e encravado nos Pirineus. Coloquei o local no meu radar e, por uma grata coincidência, um amigo foi alocado para trabalhar lá na temporada europeia de esqui e nos convidou a visitá-lo. E quando outro amigo brasileiro decidiu passar o réveillon conosco na Europa, a rota foi construída quase que naturalmente: “alugamos um carro, visitamos uma amiga que está em Tarragona e seguimos para Andorra passar a virada! ”

Alguns poucos dias após o Natal saímos em nossa jornada. Alugamos um carro nos arredores de Madrid, o que acabou ficando bem mais em conta. Partimos para Tarragona e, no caminho, pudemos fazer um rápido pit stop para ver a famosa catedral de Zaragoza. O que era uma despretensiosa parada se mostrou um dos mais belos cenários que já vi na Espanha. A paisagem da catedral às margens do Rio Ebro é fascinante e os poucos momentos que estivemos na cidade foram o suficiente para indicar que ali é um lugar para voltar com mais tempo.

Chegamos ao nosso destino à noite, após uma viagem de mais de 500km desde Madrid. Tarragona é uma cidade que fica às margens do mar mediterrâneo e que foi, durante o Império Romano, uma das principais cidades da Hispania, nome dado aos romanos à toda região da Península Ibérica. É uma cidade na Comunidade Autônoma da Catalunha e capital da província de mesmo nome. No ambiente já se nota algo diferente: Catalunha é uma região com uma língua oficial própria, de tradições fortes e que tenta ser independente da Espanha. A rivalidade entre Madrid e Barcelona, capital da Catalunha e que merece um post à parte, se dá em muitos sentidos, o futebol é apenas um deles. Estar na Catalunha é como estar em outro país dentro da Espanha: a bandeira da comunidade autônoma estendida em muitas janelas é um forte símbolo do nacionalismo catalão.

O centro histórico de Tarragona é muito bonito e interessante, cheio de ruínas romanas e ruas pequenas acessíveis somente a pé. O ponto alto é seu anfiteatro romano às margens do mar mediterrâneo: em um dia ensolarado o azul do oceano faz uma bela combinação com as ruínas amareladas que remetem a séculos de história. E, claro, o que não pode faltar em qualquer visita à Catalunha é experimentar a gastronomia local. Além de pratos tipicamente espanhóis, a região possui uma cozinha regional que mistura ingredientes do mar e montanhas. A gastronomia catalã também é conhecida por ser a típica cozinha mediterrânea com toques de experimentalismo e sofisticação. E também famosa por produzir a quase totalidade das cavas bebidas em todo mundo, o famoso espumante espanhol. Passamos alguns poucos bons dias, acompanhados por uma amiga expert em enologia que nos levou por uma rota gastronômica muito bacana!

Nos despedimos e partimos em uma bela viagem até Andorra. Quando saímos do centro urbano, fomos cruzando povoados tipicamente medievais que davam a impressão de estarem parados no tempo há séculos. E nos últimos quilômetros, já na região dos Pirineus, a paisagem é impressionante: viajando por vales rodeados por enormes montanhas e picos nevados. Em Andorra, além de rever o mesmo amigo italiano que nos deu uma força lá em Marrocos, tivemos acesso a uma experiência muito bacana e inesquecível: aulas gratuitas de snowboard em uma paisagem incrível, rodeada por montanhas que são puro gelo e neve. Algo diferente de tudo que tinha feito na vida e que adorei, apesar do susto de uma forte queda que me deixou com o corpo doído por vários dias!

De Andorra em si, não há muito mais a se dizer: é um país minúsculo, de turismo bastante caro e possui várias estações de esqui enormes e consideradas das melhores do continente. E, além disso, é uma espécie de paraíso fiscal e que funciona como zona franca praticamente livre de impostos, o que atrai muita gente também para turismo de compras. No dia em que nos dedicaríamos a conhecer os shoppings da capital, tudo estava fechado e acabamos não vendo nada nesse sentido. No fim das contas, essa viagem foi uma excelente maneira de fechar 2016 e começar 2017 com o pé direito, ou melhor, com os dois pés em cima de uma prancha de snowboard, ao lado da Martinica, cercado de grandes amigos e com os olhos em uma paisagem brutal!