A dinâmica da música em nossa vida

Martina Carvalho - 30/09/2016
Show do Red Hot em Madrid

Aproveitando a adrenalina do show do Red Hot Chili Peppers, que estava ótimo (e que o Diego vai contar em outro post), gostaria de compartilhar um pouco do significado da música na minha vida e na nossa história!

Para mim a música sempre foi muito além da diversão, traduzia reflexões, pensamentos, paixões e uma conexão fortíssima com meus avós, que foram músicos. Quando conseguia cantar, era o principal sinal de que tinha vencido alguma bad: o silêncio se quebrava e os males se dissipavam.

Nunca tive ídolos musicais, mas curti muita gente: de Beatles à Tim Maia, de Vinícius de Moraes à Banda do Mar, muito Chico Buarque, um pouco de Jack Johnson e Jorge Ben, Marisa Monte, Adriana Calcanhoto, enfim, a lista é longa! Perceptivelmente tive várias referências, mas muito pouca coerência. Mesmo assim, a música sempre me oportunizou “escapar de um lugar comum”, me trouxe novas perspectivas, conceitos, sentidos e me permitiu viajar para bem longe.

Quando conheci o Di, percebi de cara que a loucura dele por músicas era bem maior. Todos os dias antes de trabalhar o som bombava enquanto ele tomava banho e no carro sempre tinha um pen drive plugado tocando a todo volume. Ao contrário de mim, ele tinha muitos ídolos e era capaz de discursar sobre a discografia e a história de várias bandas.

Mesmo com toda profundidade e conhecimento que tinha me chamava atenção à fixação dele por algumas músicas e bandas. Parecia que o dia dele não seria o mesmo se ele não escutasse sua música favorita, que na época e, por quase um ano, foi “Song to say goodbye” do Placebo, uma banda de rock alternativo, que teremos o prazer de assistir em Novembro na Holanda.

Como não poderia ser diferente, na primeira vez que me visitou em Porto Alegre, ele não hesitou, pegou o controle remoto e logo o som do Placebo estava em toda casa. E ele estava dançando alucinado no meio da sala, de uma maneira tão doida, que se eu filmasse ninguém acreditaria. Era apenas nosso segundo encontro e eu confesso que achei super esquisito e engraçado, me controlei para não rir, pensei em desistir, mas entendi que a liberdade de expressão fazia parte de viver àquela aventura, então deixei as coisas rolarem…

Deveria ter percebido que este era o sinal de que a música faria para sempre parte da nossa história e que ali estávamos criando a “nossa dinâmica musical”. Em qualquer encontro a única certeza é que ouviríamos muita música, com escolhas aleatórias e que qualquer estilo seria aceito. E assim, em todos os nossos dates compartilhamos os nossos gostos e ouvimos muito, mas muito mesmo: Arctic Monkey, Phoenix, Los Hermanos, Mumford & Sons, Talking Heads, Death Cab, Cold Play, Placebo, Kevin Johansen , Banda do Mar, Michael Jackson, Placebo (de novo!), Coldplay, Calle 13 e algumas bandas que já não fazem mais parte da nossa playlist (tentamos montar nossa história musical no Spotify, mas faz tempo que não atualizamos).

O nosso “método/dinâmica de escolha musical” ganhou amplitude quando começamos a implantá-lo nos encontros com familiares e amigos. E assim é até os dias de hoje: adoramos conhecer uma banda nova ou dar risada com alguma escolha do tipo “Roberto Carlos canta com Julio Iglesias”. Nestes casos, juramos que a liberdade é uma premissa, inclusive a liberdade da zoação.

Desta forma seguimos, com alguns shows em vista, conhecendo novas bandas, seguindo as playlists de amigos e aproveitando a delícia que é ter uma noite de sexta-feira para colocar o som a todo volume. O Diego já fez amigos na Espanha que alimentaram seu pen drive e eu me sinto privilegiada, porque algumas vezes, posso assistir a melhor performance de Air Guitar que o mundo já viu. O Didi, por sua vez, jura que este estilo especial de dançar foi absorvido vendo o Flea do Red Hot e depois do show de ontem posso garantir que faz todo o sentido.

air_guitar