#24 – 27/05/09 – Buenos Aires – Capital da Argentina – 13h30 – Quarta-feira

Diego Canhada - 14/07/2017

Após um tempo na lan house, encontrei Juan em ¨nosso¨ apartamento e nos dirigimos para Puerto Madero, um lugar bem próximo de onde estamos. O lugar nem parece América Latina: muita riqueza, tudo meticulosamente limpo, prédios novos e modernos, bem como prédios antigos super bem cuidados. Fiquei impressionado com aquele lugar e tiramos algumas fotos, lugar belíssimo!

Depois resolvemos cumprir nossa missão e encontrar Cory, uma estadunidense amiga do sueco Daniel. Depois de muito caminhar e de algumas informações equivocadas que nos deram, pegamos o metrô e encontramos o Hostel onde ela trabalha e lá estava ela. Realmente uma pessoa super simpática, nos deu um chá, café e conversamos um pouco. Estava radiante com seu novo gorro e com nossa visita! Como tinha me alertado Daniel, uma menina muito inteligente e de uma simpatia marcante.

Mais engraçado é nossa “outra globalização”: dois brasileiros entregando um gorro comprado na Guiana e fabricado na China para uma estadunidense na Argentina, atendendo ao pedido de um sueco que conheci no Uruguai que a conheceu na Colômbia! Pelo número de países envolvidos, considerei como uma missão diplomática e tentei representar o Brasil do melhor modo possível. Com o auxílio do Juan, acho que conseguimos. Trocamos contatos, descobrimos que estávamos perto da casa de Nicolóvski e resolvemos fazer uma visita a eles.

No caminho passamos em um mercadinho para comprar alimentos e não gastar mais com restaurantes. Se abusamos dos mercados, a viagem acaba ficando muito mais barata e pode-se comer muito bem. Especialmente porque nosso caminho é longo. Aqui há muitos pequenos mercados e dificilmente se encontra uma grande rede de supermercados. E aqui esses mercadinhos em geral são de chineses. No trajeto, Juan conseguiu deixar sua marca na cidade quando afundou seu pé em um cimento ainda em fase de endurecimento na calçada e fez um buraco enorme no seu descuido.

Chegamos no Nicolóvski exatamente na hora que a Joana estava servindo uma deliciosa sopa de lentilhas e nós aproveitamos o convite com gratidão. Como tudo que já experimentei que ela cozinhou, estava sublime. Depois continuamos batendo papo, eles tomavam um vinho bem gostoso, mas eu fiquei de fora: antibióticos na veia!

Quando era quase meia noite, pegamos o ônibus e voltamos para nosso apartamento. Aqui os ônibus funcionam por toda a noite, são super seguros e são baratos. E é bem diferente também: não há cobrador, você que diz para o motorista onde vai descer e então ele cobra a tarifa, que pagamos apenas com moedas em uma máquina. Por isso há sempre que ter moedas no bolso, não aceitam cédulas. E aqui todos querem moedas porque às vezes falta.

Nicolóvski me disse que tempos atrás nem os bancos tinham moedas, achei isso super curioso. Lembro que Mary, a amiga estadunidense de Nicolóvski e Joana, disse-me que não entende isso e que isso poderia facilmente ser resolvido com cartões, mas enfim, cada lugar com sua loucura! No Brasil todos querem se livrar das moedas, com exceção dos comerciantes, aqui todo mundo quer ter moeda. A pergunta quando vamos sair é sempre a mesma: ¨Hay monedas?¨

Cheguei em casa e lavei algumas roupas para seguir viagem, amanhã partimos para Rosário e nossos amigos já estão se mobilizando para conseguir lugar para gente ficar, endereços de Hostéis baratos e dicas de lugares e pessoas para se conhecer. Conversamos bastante ontem e dormimos.

Hoje já acordei melhor da gripe, resfriado, tosse, garganta e essa turma toda de vírus, bactérias e sei lá o que mais que resolveu se instalar em meu corpo. Já sinto o desespero dos microrganismos: apelei de forma violenta com antibióticos! Com esse arsenal de medicação eu vou ficar 100% antes de chegar em Jujuy, provavelmente já saio daqui quase inteiro.

Acordei feliz por minha melhora e alegre pelos dias aqui, me sinto cada vez melhor em relação ao meu estado de espírito. E essa viagem já está sendo muito boa, mas quando começar os acampamentos, desertos, montanhas, Andes, Amazônia, Colômbia, Machuppichu e tudo mais, daí eu vou ser a pessoa mais feliz do mundo!

Viemos cedo aqui para Nicolóvski, que não foi trabalhar hoje para ficar com a gente, grande amigo. Já estamos nos virando com o transporte público e com o mapa da cidade. E eu sempre impressionado com a beleza que é a arquitetura dessa cidade, dá vontade de tirar fotos de tudo, é realmente uma cidade belíssima. E é sempre assim: quando começamos a aprender como andar em uma cidade, está na hora de partir para a próxima. Cada cidade é um mistério, tem sua beleza e várias histórias. Me sinto um pouco como a personagem Marco Polo, no brilhante livro ¨Cidades Invisíveis¨, do grande escritor italiano Ítalo Calvino.

Paulo também entrou em contato e assistiremos um jogo de futebol na casa dele, que é a final do maior campeonato do mundo: Machester United x Barcelona. E cada um desses times tem um jogador amado aqui na Argentina, o primeiro tem o Teves, o segundo tem o Messi. A Argentina está em chamas, parece que até o Maradona disse que o Messi é seu substituto. Embora eu não seja muito ligado em futebol, fiquei até curioso para ver esse jogo.