#23 – 26/05/09 – Buenos Aires – Capital da Argentina – 13h30 – Terça-feira

Diego Canhada - 27/06/2017

Ontem acordei bem cedo, fui para uma lan house e fiquei um bom tempo lá respondendo e-mails e comentários no blog. Na volta para casa, comprei umas frutas e umas Quilmes para esperar o Juan. Comecei a ler mais um pouco do Hesse enquanto a Joana preparava o almoço, mas o sono me pegou e dei uma cochilada pela sala. Quando acordei, voltei a ler e encontrei um trecho que onde José Servo dizia: “Não há”, assim disse ele uma vez, “a vida nobre e elevada ignorando a existência do diabo e dos demônios e sem a constante luta contra eles.” Fiquei escutando música, li alguns poemas do Mario Benedetti também e fomos almoçar.

A Joana preparou uma lentilha deliciosa. Quando estávamos cuidando da limpeza da cozinha, após eu comentar com Nicolóvski que ela cozinhava muito bem, ele deu uma risada e me disse que quando começaram a namorar, ele achava que os dois cozinhavam de forma similar. Mas com o tempo ele viu que ela estava muito na frente dele, especialmente quando usou um caldo de um frango para preparar um pirão. Disse ele que há uma enorme diferença entre cozinhar alguns pratos e saber se virar com o que se tem na cozinha.

Percebi que realmente me resfriei, e que a tosse e a irritação na garganta que vêm desde Curitiba está difícil de ser vencida na homeopatia. Logo chegou uma amiga deles chamda Mary, estadunidense que mora há dois anos em Buenos Aires. Pouco tempo depois chegou Juan e fizemos uma pequena comemoração: consagramos tomando uma cerveja, comendo castanhas e pedimos um sorvete delicioso. Aqui o tradicional sabor é doce de leite, que é sensacional! Também comemos de chocolate amargo, menta e um outro sabor parecido com passas ao rum. O sorvete da Argentina é realmente de outro nível.

Juan e eu conversamos sobre o roteiro de viagem e fizemos algumas trocas: não vamos mais para Assunção no Paraguai, mas vamos entrar no Chile rapidamente para conhecermos o Deserto do Atacama na cidade de San Pedro do Atacama; trocamos a cidade de Salta, que já conheço, por San Salvador de Jujuy para eu conhecer o Cierro de Siete Colores no norte da Argentina, uma montanha que tem várias cores e que ele afirmou ter sido um dos pontos altos da viagem que ele fez anteriormente. E reforçamos a visita em Machuppichu. Logo Mariela e Marcela – as meninas que conheci no barco que vinha de Montevidéo para cá – me ligaram, combinamos de fazer algo, organizamos nossas mochilas, pegamos um ônibus e fomos embaixo de chuva para o apartamento do Tarso, amigo que nos deixou com a chave de seu apartamento no bairro San Telmo, outro bairro famoso e boêmio de Buenos Aires.

Chegamos no apartamento dele, que é super bacana, e vimos que a viagem começou bem: Mary nos deu um presente, Nicolóvski e Joana nos receberam bem, estamos com a chave de um apartamento só para nós dois e já conheci duas meninas super legais. Tomamos um banho, arrumamos nossas mochilas e logo as meninas chegaram. Conversamos bastante e Mariela nos deu um super roteiro de lugares para serem visitados, percebemos que estamos bem perto do centro e super bem localizados. Quando elas se foram, ainda ficamos ouvindo música e conversamos até de madrugada. E eu senti que o resfriado, a tosse e a garganta estão piorando.

Dormi na sala e quando acordei, conversei um pouco com o Juan e percebi que está na hora de vencer logo essa tosse e irritação na garganta antes de chegar na Bolívia e na altitude, que por si só já exige bastante do corpo. Hoje o dia estava muito frio aqui, embora com bastante sol. Decidimos também partir antes para Rosário e não ficar mais esse próximo final de semana aqui, nosso caminho é longo! Planejamos nosso dia, almoçamos bem em San Telmo e fui para uma farmácia: entrei no antibiótico, 6 dias sem nada de álcool e agora medicação pesada para enfim finalizar com essa tosse. Me senti mais aliviado, não posso esperar os efeitos da homeopatia em uma viagem desse nível.

Aqui na lan house recebi recebi notícias da família e um comovente email de uma amiga dizendo que chorou quando leu algo que eu tinha escrito tempos atrás. Tenho um eterno questionamento sobre a sensibilidade das mulheres e as diferenças existentes entre homens e mulheres. Minha pergunta que nunca irá se calar é: até que ponto essas diferenças são socioculturais ou genéticas? Acho que esses elementos estão entrelaçados, mas eu me impressiono com esses seres tão complexos e cheios de mistérios que são as mulheres. Elas podem nos ensinar tanto se estivermos abertos a esse aprendizado. Bem, vamos cumprir a missão de hoje: entregar a toca para a amiga do sueco Daniel.