#21 – 24/05/09 – Buenos Aires – Capital da Argentina – 3h45 – Domingo

Diego Canhada - 23/05/2017

Depois de comprar minha passagem para fazer a travessia, resolvi dar mais uma caminhada para oxigenar o cérebro e ficar mais tranquilo. Achei um lugar bem legal: muitos pássaros voando e cantando, uma grama macia para se sentar e um visual lindo do Rio da Prata. Estava muito cansado e fiquei lá quase a tarde toda, deitado na grama alternando alguns cochilos com reflexões sobre tudo que tem acontecido em minha vida e nessa viagem.

Quando chegou a hora de embarcar, tive uma surpresa negativa. O pessoal da imigração me perguntou onde estava o carimbo uruguaio no meu passaporte. Expliquei a eles que em Rivera me disseram que não havia problema e quando fui atrás do carimbo em Montevideo, o que é verdade, me disseram que não haveria problemas e que não poderiam carimbar. A informação que me deram era que hoje não havia mais essa necessidade em virtude do Mercosul. O pessoal da imigração não quis nem saber e me disseram de modo áspero que todos esses dias eu estava ilegal no país. Fui mal tratado na saída do Uruguai e me ofereceram duas únicas alternativas: ou voltava para Rivera e saía do Uruguai por onde entrei ou pagava uma multa de $25. Obviamente que tive que pagar: parece pouco, mas é muito dinheiro para mim aqui!

Quando estava esperando o embarque, fiquei com algumas dúvidas sobre o preenchimento de um formulário e sobre como fazer com as mochilas, já que estava escutando algumas instruções no alto-falante. Eu estava com receio de fazer algo errado novamente e ter problemas na entrada da Argentina. E resolvi perguntar para uma senhora que estava ao meu lado e ela também não me tratou com cortesia: estava um dia difícil para mim e minha aparência não deveria agradar muito. Foi quando uma moça bastante simpática veio até mim e começou a me ajudar. Explicou-me tudo certinho e foi me dando instruções. Daí eu procurei segui-la e sentei perto dela e de sua amiga. E logo estávamos os três conversando nesse navio que, por sinal, era demasiado luxuoso para uma viagem de mochileiro.

A travessia demorou três horas e conversamos o tempo todo. Foi então que essa menina, que se chama Mariela, me disse que já tinha reparado em mim no embarque pelas mochilas e pelo jeito diferente. Depois disse que me viu tendo problemas com a imigração e ficou preocupada, pois sabia que eu era brasileiro e ela disse que gostava de tudo que vem do Brasil. E quando viu que a mulher não estava me ajudando, resolveu intervir e me ajudar. Depois me explicaram como ir para Palermo, me deram várias dicas e ficamos de nos encontrar aqui na Argentina. Gostei muito das meninas.

Quando estávamos chegando em Buenos Aires, já pude ver a beleza da cidade na noite. E estava feliz, a Argentina já começou a sorrir para mim e com olhos cheios de rímel. As meninas me deixaram no táxi e fui para casa do Nicolóvski. No caminho, já pude rever como é linda essa Buenos Aires: uma noite agitada, muitos prédios, toda iluminada, uma grande metrópole! Nicolóvski me recebeu com muita alegria e logo estávamos tomando uma cerveja em seu apartamento junto com a sua namorada. Deram-me um prato delicioso de macarrão que eles mesmos fizeram e conversamos muito até agora há pouco. Estou bem cansado, mas feliz. Creio que aqui vai ser muito legal e segunda-feira chega o Juan, que será meu companheiro nessa aventura.