#19 – 22/05/09 – Montevideo – Capital do Uruguai – 22h15 – Sexta-Feira

Diego Canhada - 08/05/2017

Depois de escrever as linhas pela manhã, fui almoçar com um holandês, um estadunidense e um israelense. O primeiro tinha acabado de chegar no Hostel: um advogado de Amsterdã que após três anos de trabalho pesado, ¨chutou o balde¨, pediu demissão e agora está viajando. Inclusive vai pro Brasil em breve e estou ajudando-o a se localizar porque não sabe nada de lá. O israelense estava no asado e, após seus 3 anos de serviço militar obrigatório em Israel, também está viajando pelo mundo. O estadunidense também estava no asado, mas esse eu pouco sei, toda hora está na mesma mesa mexendo em seu notebook. Esses dias fiquei tão curioso para saber o que tanto ele faz lá e estava assistindo ¨Beavis and Butthead”. Pensei que era um ótimo programa atravessar os céus para assistir aqui, quase como o ¨Wolverine”. Depois fiquei sabendo que ele ganha dinheiro jogando pôquer pela internet…

Almoçamos no mesmo restaurante de comida chinesa que comi ontem com o sueco e o estadunidense voltou para o Hostel. O holandês, que se chama Floris, e o israelense, que se chama Hidday, foram comigo dar uma volta pela orla do mar em Montevideo. Caminhamos toda a tarde, tiramos fotos, conversamos bastante e vimos um belíssimo pôr do sol.

Quando começamos a retornar para o Hostel, Floris me olha e diz: ¨I really like your shoes. Is it comfortable?” E eu começo a dar risada de novo e lhe respondo: ¨Yes, very comfortable!” E ele: ¨Oh, very simple to do, but effective!” E lá vou eu explicar de novo para os dois que nao era típico do meu país, que mesmo lá as pessoas queriam saber e tudo mais. E dando risada, tinha acabado de escrever sobre isso. E foi até uma coincidência porque comprei com o pessoal das ¨12 Tribos de Israel¨, mas o israelense disse nunca ter visto algo parecido!

Estava pensando hoje que sou um típico curitibano. Da mesma forma que minha cidade muda de climas várias vezes ao dia, eu mudo também de humor. Estava um pouco triste quando comecei a caminhar. Até pelos exageros de ontem, estava um pouco mais para baixo. O lado bom da história é tentar aprender a se auto observar, procurar entender o que está causando isso e buscar modificar seu padrão de energia. Do contrário, a resposta padrão, e que te enterra cada vez mais, é sair por aí culpando os outros e se queixando da vida por situações que, muitas vezes, você é o único responsável. Depois da longa caminhada, já estava com o humor bem melhor!

Voltei e deu uma capotada. Acordei e havia uma estadunidense que mora no Chile no quarto e já conversamos um pouco. Muito querida e simpática ela. Acabei de dar umas dicas para o holandês sobre o Brasil e acho que vamos em uma festa anos 80 aqui perto tomar uma cerveja. Os europeus em geral são muito mais reservados e geralmente sou eu que chego e começo a fazer perguntas e conversar, embora tentando respeitar o tempo de cada um. Logo eles ganham confiança e te chamam para tudo, te chamam de amigo e, quando menos percebe, você vira a referência para eles no lugar. Agora mesmo enquanto escrevo essas linhas, o holandês acabou de me deixar um copo de cerveja aqui: ¨For you my friend!”.

Bem, vamos para minha última noite em Montevideo e amanhã cedo rumo para Colônia do Sacramento conhecer e fazer a travessia para Buenos Aires. Adorei Montevideo, mas acho que está chegando a hora de agitar um pouco mais e nada melhor do que a capital da Argentina para começar. Ainda mais com grandes amigos que estarão por lá.