#17– 20/05/09 – Montevideo – Capital do Uruguai – 18h45 – Quarta-Feira

Diego Canhada - 23/03/2017

Hoje acordei às 10h da manhã, fui dormir muito tarde ontem e hoje fiquei um bom tempo na cama. Me levantei sem pressa, tomei um banho quente muito bom e fiquei organizando minhas mochilas e planejando o dia. Como ontem tinha comprado uma camiseta do Uruguai e estava pronto para dar uma das que trouxe, decidi que daria para um argentino muito gente boa que estava fazendo questão de que eu fosse para Mendoza qualquer dia, cidade em que ele vive. Dei uma da Universidade, mas ele foi lá e me trouxe uma da Argentina e me deu. Enfim, ganhei uma camiseta que eu adorei e ainda tenho uma de sobra para alguém que eu achar que vale a pena presentear.

E nuestros hermanos em geral são sempre muito legais conosco! E no final das contas, sou curitibano, sou do sul, sou brasileiro e sou latino-americano. Ao mesmo tempo, não sou nada disso: sou um dos bilhões de habitantes desse belo planeta, semelhantes em nossas diferenças. Essas identidades são apenas construções, é uma mediocridade muito grande julgar alguém somente por nascer aqui ou acolá.

Vi meus e-mails rapidamente, me alegrei com boas notícias vindas do Brasil, dei uma caminhada, troquei uns dólares, comprei umas frutas e me mandei para o Shopping de Punta Carreta, em um bairro longe daqui com esse mesmo nome. O mesmo cara que tinha me dado as dicas do ¨Il Mondo de La Pizza¨ me disse que eu deveria ir comer chivitos nesse shopping. Peguei um ônibus e me mandei. Era bem longe e foi um passeio legal, vi a praia e pude ver vários pontos da cidade no caminho.

E uma hora aconteceu algo que eu achei muito bacana: entrou um senhor alto no ônibus, sendo que esse não estava nem vazio e nem abarrotado de gente, vestia um óculos escuro, era alto, usava um gorro bem diferente e parecia ter mais de 60 anos, mas muito forte. Parou no meio do ônibus e soltou a voz, cantou duas belas canções: uma em espanhol e uma em inglês. Parecia um tenor, eu fiquei admirado com o talento do cara. E as letras das duas músicas eram belíssimas, deixei umas moedas com ele e segui viagem. Perguntei para uma moça que estava ao meu lado se era comum aquilo e ela disse que sim: que cidade legal!

E cheguei no tal shopping. Como os grandes que eu conheço, nada demais. E fui atrás do chivitos e realmente era um preço justo e muito gostoso, uma espécie de X-Salada, mas gostei mais. O recheio parecia algo que ficava entre um hambúrguer e um bife, nem um nem outro. Mas o ponto alto do passeio foi quando vi o cartaz do filme do Wolverine! Eu era um viciado em gibis quando era criança. E depois de passar pela Turma da Mônica e pelos gibis da Walt Disney, minha paixão foi os gibis da Marvel Comics. E quando começaram a fazer filmes sobre esses heróis, eu assisto quase todos que lançam no cinema e curto demais. E obviamente meu personagem favorito da Marvel sempre foi o Wolverine.

O cara é um quase anti-herói, um ser perturbado que em alguns momentos fica entre o bem e o mal. Ao contrário de outros que têm uma trajetória linear, ele sofre, enfrenta o inferno e ressurge transformado para estar ao lado do bem. Mas tendo sempre essa violência dentro dele: o que faz o serviço que ninguém pode ou quer fazer, o que não é o líder do grupo mas dá uma valorosa contribuição. Segue um caminho próprio, um lobo solitário pronto para o que der e vier, que chega sempre na hora H e dá aquele reforço para o grupo. Enquanto os X-Men queriam defender, ele queria atacar. Para Wolverine, a melhor defesa era um bom ataque. Enquanto os outros estavam em uma missão conjunta, cada um com seu papel, ele estava pelo Canadá bebendo e arrumando confusão. E sempre foi o melhor no que fazia: Lorde Wolverine, temido e respeitado!

Ontem mesmo uma amiga me disse que assistiu e gostou na Inglaterra, resolvi ter um encontro com ela assistindo aqui no Uruguai. E não me arrependi, foi o melhor filme da Marvel que vi até agora: muitos efeitos especiais, uma história convincente, não distorceram o herói do gibi e outros heróis apareceram que eu gosto também, como o Gambit e mesmo o sádico Dentes de Sabre. E eu lá, cinema vazio e curtindo a pancadaria! Uma das partes que mais gostei do filme foi quando vão lhe colocar o esqueleto de adamantium e lhe dizem que vai doer como nunca sentiu, que ele será destruído para se tornar indestrutível.

E comecei a pensar que é isso mesmo, tudo aquilo que não te mata te fortalece. Como a Fênix que renasce das cinzas e volta cada vez mais forte. Como dizia Don Juan para Castañeda: quem volta do inferno traz um conhecimento inigualável. O que não podemos é ficar lá pelo inferno.

Bem, hoje me sinto cheio de energias, muito bem comigo mesmo e com muita força. Estou cada dia gostando mais dessa cidade e é muito bom andar sozinho por aqui e muito fácil de se localizar. Achei o transporte público muito organizado e há muito para se ver e conhecer. Aqui no Hostel fiz uma troca de músicas muito legais e achei muitas músicas com cordas para colocar no MP3. Logo vai ter um asado aqui e vamos comer todos juntos!